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Acerca do SIARL

 

Sistema de Administração do Recurso Litoral

UM INSTRUMENTO para promover

A GESTÃO integrada DA ZONA COSTEIRA CONTINENTAL

com prioridade para os riscos instalados

e os que se perspectivam em cenários de alterações climáticas


OBJETIVOS


 

      - Ampliar o conhecimento costeiro e facilitar o acesso à informação de base;
      - Permitir uma visão local e global sobre o litoral continental;
      - Aumentar a capacidade para antecipar os riscos e responder aos desafios;
      - Incrementar a interoperabilidade entre sectores e favorecer a gestão integrada;
      - Promover o princípio da subsidiariedade e da responsabilização;
      - Ajudar à maior interação entre as fases de planeamento e de gestão do território;
      - Ampliar o espírito crítico potenciando uma maior eficácia e racionalidade;
      - Contribuir para o decréscimo de atividades redundantes e otimizar recursos;
      - Favorecer a desmaterialização da informação;
      - Divulgar e promover maior transparência das decisões públicas.
 
O SIARL é uma ferramenta que tem por objetivo apoiar a decisão favorecendo a gestão integrada da orla costeira do continente português de modo a se resolver as seguintes questões recorrentes:
      - O insuficiente conhecimento sobre zonas de risco;
      - A falta de controlo sobre usos e ocupação do solo em zonas de risco;
      - A falta de articulação entre organismos e atores;
      - A tendência para se agir reactivamente e não por antecipação;
      - A insuficiente informação que, quando existe, é geralmente de difícil acesso;
      - A falta de informação validada e comparável.

 


ANTECEDENTES


 

O SIARL, inicialmente intitulado Sistema de Apoio à Reposição da Legalidade, refletia a orientação política que em 2006 foi dada ao Programa Finisterra e que tinha como missão propor medidas ao governo para combater as disfuncionalidades registadas na orla costeira, nomeadamente dentro da problemática dos clandestinos.

Foi no âmbito dos trabalhos da estrutura de missão do Programa Finisterra com este novo figurino que foi conceptualizado o atual sistema e que rapidamente evoluiu para Sistema de Administração do Recurso Litoral, em consequência da abrangência dos temas a tratar e que transcendiam em muito o tema da reposição da legalidade.

Neste contexto beneficiou do apoio ao POVT/QREN em 2009  e que permitiu o seu desenvolvimento tecnológico e o carregamento de alguns conteúdos, dominantemente informação geográfica e que constitui a solução que esteve residente nos servidores da Direção Geral do Território até 2017.

Neste mesmo ano a ferramenta transitou para a Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. (APA, I.P.) por ser a entidade melhor vocacionada para gerir um sistema com ambição e potencialidades para se constituir como o repositório do conhecimento costeiro e permitir implementar metodologias que ajudem a uma gestão integrada tal como preconizado pela Estratégia Nacional para a Gestão Integrada das Zonas Costeiras de Portugal (ENGIZC). 

Embora a visão inicial do SIARL, enquanto plataforma colaborativa suportada em informação geográfica, se mantenha atual, torna-se agora necessário modernizá-la e ajustá-la para responder aos novos desafios que se colocam quando se pretende implementar Estratégias de Adaptação Costeira face aos riscos crescentes, designadamente em cenários de alterações climáticas e tal como recomendado pelo Grupo de Trabalho do Litoral na sequência das tempestades que assolaram o país no inverno de 2013/2014.

Foi neste enquadramento que a APA, I.P., entidade que exerce as funções de Autoridade Nacional da Água e a quem compete agora assegurar a gestão do SIARL, viu aprovada uma candidatura pelo POVT (2017) com vista a permitir a sua modernização, ampliação de funcionalidades e carregamento dos conteúdos históricos essenciais que permitam responder aos desafios crescentes e permitir obter respostas mais sustentáveis no quadro das estratégias de adaptação face aos riscos instalados e aos que se perspetivam.

 


ENQUADRAMENTO


 

I) Um Instrumento desenvolvido com recurso a software de código aberto

Esta opção foi tomada após ponderação das vantagens e desvantagens da utilização de software de autor face ao designado software livre e teve em consideração:

      - As orientações políticas nacionais emanadas sobre este tema e que apontam no sentido da promoção da utilização de sistemas abertos na Administração Pública (RCM nº 21/2002 de 31 de janeiro de 2002 e a Resolução da Assembleia da República nº 66/2004, de 15 de outubro de 2004);

      - Responder ao preconizado pela Europa e referido no documento “i2010 - A European Information Society for growth and employment" [COM(2005) 229 final”)

      - Favorecer a transparência, a interoperabilidade e a sustentabilidade das aplicações da responsabilidade da Administração Pública, contribuindo para a redução do défice público e garantir maior controlo e segurança no tratamento da informação;

      - Melhorar a competitividade nacional através da promoção da cooperação entre a administração e a sociedade do conhecimento, estendendo as boas práticas de partilha de conhecimento e fortalecendo a inovação nacional;

      - Facilitar a adaptação às necessidades concretas da administração em promover a partilha, a reutilização, a colaboração e a disponibilização do conhecimento;

      - Promover políticas que favoreçam a independência e a autonomia do Estado e a dinamização de soluções cujo valor acrescentado é de génese nacional, baseado numa solução tecnológica robusta e fiável e com elevadas performances.

      - Facilitar os desenvolvimentos que se acharem adequados ou proceder à sua replicação tendo em vista aproveitar o seu conceito para outros sectores do Estado.

II) Um Instrumento que fomenta a inovação para uma maior eficácia no planeamento e gestão da orla costeira baseado em parcerias empenhadas

Entre outros aspetos, o SIARL:

      - Sistematiza a informação mais relevante sobre o litoral português para apoiar a decisão política e técnica a diferentes níveis da administração (local, supralocal e nacional);

      - Disponibiliza ou permite o acesso a informação geográfica e alfanumérica de relevante interesse para apoiar a decisão a diferentes escalas de intervenção, sejam sectoriais, temporais ou geográficas;

      - Promove a interação da informação de diversas entidades e sectores sobre temas comuns no território em tempo real;

      - Fomenta a racionalidade e a convergência de esforços;

      - Contribui para a transparência e o acesso à informação aos diversos atores, incluindo cidadãos.

O SIARL possui um conceito que ajuda a promover a ampliação do conhecimento coletivo existente sobre o litoral e apoiar a tomada de decisão integrada sobre o nosso futuro comum e cujas competências se encontram dispersas por diversas entidades com capacidade de intervenção no litoral.

Embora o sistema tenha uma base de dados própria, o conceito privilegia não a centralização dos dados mas sim a promoção do acesso aos dados que são detidos por diferente entidades através da articulação e interoperabilidade das diferentes bases de dados.

O sistema também se serve da natural relação dos dados que importam à gestão costeira com o território para, através da georreferenciação expedita desses dados, facilitar a integração de diferentes disciplinas do conhecimento num determinado espaço territorial, facilitando assim a integração do conhecimento que importa a esse território.

Outra característica do sistema baseia-se na sua capacidade para, ao mesmo tempo que fornece informação aos técnicos que intervêm na gestão costeira para fundamentar as suas propostas, possibilita e incentiva que estes vão também carregando novos dados ou estabelecendo novas relações entre dados no sistema permitindo assim ampliar o conhecimento coletivo e consoante o interesse e vocação de cada entidade.

Ao nível dos novos desenvolvimentos a efetuar na ferramenta e no domínio da inovação, irão ser incorporadas soluções que apostam as novas tecnologias aplicadas à monitorização e à modelação matemática para ajudar à compreensão do comportamento dos sistemas costeiros e apoiar estratégias de adaptação.

III) Um instrumento que apoia a tomada de decisão, promove a partilha da informação geográfica, a monitorização e a troca de experiências a nível nacional e mesmo internacional

O sistema está alinhado com a Diretiva INSPIRE e a Recomendação Europeia sobre Gestão Integrada de Zonas Costeiras (GIZC), baseando-se nos princípios aí preconizados como são nomeadamente: Ajudar à ampliação do conhecimento sobre o território nas zonas costeiras; Promover uma gestão adaptativa a pensar no longo prazo sem perder de vista as especificidades locais; Facilitar a troca de experiências e o envolvimento de diversos atores; Proporcionar a integração e convergência de investimentos e esforços; Facilitar a tomada de decisão respeitante a politicas e atividades suscetíveis de ter um impacto direto ou indireto no ambiente; Promover a partilha da informação geográfica, facilitando o acesso, comparação, organização e avaliação da sua qualidade.

 O SIARL, através da infraestrutura de dados própria e de outras entidades permite pesquisar, visualizar, comparar e explorar a informação geográfica e alfanumérica que esteja acessível pelo sistema e que é será um importante passo para a integração de informação de diferente origem para aumentar a qualidade da tomada de decisão a nível técnico, de decisores e políticos, independentemente de serem de nível local, supralocal ou continental.

O sistema também está a ser pensado para centralizar o acesso a dados resultantes de diferentes campanhas de monitorização ou fornecer indicadores de diversa índole, sejam indicadores pré tratados sejam indicadores dinâmicos e em função dos dados que vierem ser carregados ou atualizados na sua base de dados.

IV) Um Instrumento que contribui para uma visão política sustentável da zona costeira continental.

O sistema permite implementar os princípios fundamentais da gestão integrada das zonas costeiras, tais como a sustentabilidade e solidariedade interoperacional; coesão e equidade social; prevenção e precaução; abordagem sistémica; suporte científico e técnico; subsidiariedade; participação; coresponsabilidade e operacionalidade.

Para tal são necessárias posturas que permitam parcerias empenhadas e onde a confiança e o respeito pela autonomia e competência de cada entidade é essencial para que haja maior eficiência e racionalidade na atuação do aparelho do Estado na prossecução do interesse público.

O SIARL assume-se assim como um instrumento de visão política pois:

      - Permite aceder a indicadores suportados em informação de base que ajudem a definir políticas mais sustentáveis para o litoral a nível continental, regional e local e com influência a curto, médio e longo prazo;

      - Recorre a metodologias que contribuirão para introduz maior racionalidade e eficiência no aparelho do Estado através de uma maior capacidade de cooperação e articulação entre os organismos com competências no litoral;

      - Porque avança com opções geradoras de racionalidade e efeitos de escala com benefícios para a despesa pública;

      - Porque facilita uma visão holística que ajuda a implementar ações locais alinhadas com as preocupações globais;

      - Porque contribui para a divulgação do conhecimento e à participação pública.

 


As Estratégias de Adaptação Costeira


 

Os primeiros acidentes costeiros de que há relatos no continente português, salvo os que resultaram do tsunami de 1755, reportam-se a Espinho, por volta da década de 1930, sendo que as causas fundamentais para tais acidentes e que se têm vindo a generalizarem-se e a agravar em-se desde então se deve a dois fatores fundamentais:

      - A erosão costeira onde a regularização de linhas de água (barragens) e obras costeiras (dominantemente portos) foram determinantes da alteração do balanço sedimentar que levou ao atual avanço do mar;

      - O surgimento de frentes urbanas em zonas muito expostas à ação das águas, ocupando com frequência antigos leitos das águas ou espaços vulneráveis aos seus efeitos.

A combinação destes dois fenómenos, quase exclusivamente de origem antrópica, resultaram numa crescente vulnerabilidade de extensos troços costeiros, sendo que se perspetiva um significativo agravamento em cenários de alterações climáticas (subida do nível médio das águas do mar e alterações do regime de tempestades) e que tenderão a ampliar os processos erosivos já instalados e consequentemente os riscos tal como se sintetiza na imagem que se segue.

 

 

Face a ação combinada destes 3 fatores, é claro o entendimento de que apenas dois estão ao nosso alcance intervir e que passa por orientar os esforços nacionais para que haja uma diminuição dos que contribuem para a erosão e para a exposição ao risco de usos de solo, já que a diminuição do efeito das alterações climáticas transcende em muito a vontade nacional.

Conclui-se assim que as estratégias de adaptação costeira deverão ter em atenção duas componentes fundamentais e que consistem basicamente em ponderar, para cada local em risco, quais os custos para diversos cenários de proteção e acomodação a adotar versus custos de retirada de zonas em risco.

Ou seja, precisamos de ampliar o nosso conhecimento de forma a obtermos dados que permitam criar com objetividade análises de custo-benefício que permitam apoiar decisões com influência a médio e longo prazo e que invertam ou pelo menos amenizem (resiliência) as atuais tendências de crescimento dos fatores de risco.

 

 

As estratégias de adaptação costeira tem duas grandes componentes tal como se deduz das recomendações do GTL:

- Uma mais estrutural, que tem a ver com o funcionamento estrutural dos sistemas costeiros com interações muito complexas;

- E outra, de caracter mais local e muito no sentido de se ter que encontrar respostas que contribuam para a resiliência local e a necessidade em se perceber em que medida as ações estruturais estão ou não a ter sucesso a nível local.

Tal conceito permite organizar os grandes temas que importam considerar nas estratégias de adaptação costeira e que grosso modo correspondem aos seguintes temas dominantes (ver imagem seguinte):

      - A um nível estrutural temos a política integrada de sedimentos desde as bacias hidrográficas até aos sumidouros no leito do mar, a gestão integrada de obras costeiras onde há que atender aos efeitos encadeados das obras no sistema de montante / barlamar para jusante / sotamar e as questões relacionadas com a Monitorização e Modelação e que devem ajudar a percebermos melhor como todo o sistema funciona.

      - Ao nível local, há a necessidade de haver uma gestão do território que deve estar alicerçado numa gestão urbana que integre os princípios da precaução e da prevenção e que é desejável que seja efetuada num quadro de responsabilidade partilhada. É ainda neste nível que se deverá privilegiar a avaliação do sucesso e insucesso das políticas estruturais face ao comportamento dos sistemas costeiros locais.

 

 

As estratégias de adaptação envolvem uma cadeia de grande complexidade onde há um claro papel para cada uma das muitas entidades com intervenção nesses temas, independentemente da sua atuação mais central ou mais local.

Com base nos grandes temas da estratégia de adaptação costeira, são 3 os grandes grupos de entidades a envolver num projeto como o SIARL:

      - As entidades com intervenção na gestão dos territórios em risco, dominantemente entidades locais ou com competências na gestão costeira local (castanho);

       - As entidades com competências em atividades relacionadas com o mar, onde se destaca a investigação e monitorização sobre o forçamento oceânico e as entidades responsáveis pela gestão de infraestruturas marítimas (verde);

       - As entidades com intervenção na gestão das bacias hidrográficas com particular preocupação para o conhecimento que importa ampliar e controlar ao nível da gestão de caudais líquidos e sólidos e com fortíssima influência no avanço das águas nas zonas baixas costeiras e na deriva sedimentar costeira (azul).

 


Parcerias Estratégicas


 

Uma plataforma colaborativa de apoio à gestão costeira que vise a implementação de estratégias de adaptação é muito mais que um produto tecnológico, por mais completo e sofisticado que seja, pois requer toda uma envolvência assente em vontades políticas e institucionais, que permitam compromissos e convergências de esforços a múltiplos níveis.

É essencial congregar esforços através de parcerias institucionais empenhadas que permitam otimizar recursos, obter maior eficiência no planeamento e acesso aos dados de modo a criar-se um repositório do conhecimento que seja sistemático e abrangente e que fundamente atuações ponderadas e sustentáveis.

O desenvolvimento de parcerias encontra-se em consonância com a ENGIZC e diversos documentos legais como são a Lei de Bases da Política de Ordenamento e de Gestão do Espaço Marítimo Nacional e a Diretiva INSPIRE através do Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG) e são um passo decisivo para se implementar medidas de gestão integrada como sejam:

      - Incrementar o conhecimento sobre as zonas costeiras e sobre o território (emerso e imerso), designadamente através de programas de monitorização sistemáticos, abrangentes, integrados e planeados;

      - Sistematizar e disponibilizar a informação existente, designadamente através da articulação e harmonização de diferentes bases de dados sem perder de vista a importância da informação histórica;

      - Melhorar a eficiência, capacidade de resposta e favorecer a articulação e interação entre organismos;

      - Promover uma gestão adaptativa a pensar no longo prazo sem perder de vista as especificidades locais;

      - Convergir investimentos e esforços e racionalizar e evitar redundâncias

Tais parcerias enquadram-se ainda nas recomendações da Comissão Europeia no que se refere à pertinência de os Estados-Membros executarem e desenvolverem estratégias para a gestão integrada da zona costeira direcionadas para um desenvolvimento ambiental, social, económico e cultural equilibrado e em parceria com as partes interessadas competentes, visando um modelo de governança assente na cooperação, que aposte na convergência de interesses através do estabelecimento de parcerias, da co--responsabilização e da partilha de riscos que permita uma gestão mais responsável e próxima dos cidadãos.

Encontra-se ainda alinhado com as recomendações do Grupo de Trabalho do Litoral, nomeadamente no que se refere:

      - À criação de uma plataforma de conhecimento que reúna os dados existentes sobre o litoral, fundamentais para o apoio à decisão no processo de gestão integrada e sustentável da zona costeira e que privilegie uma política de acesso aberto, beneficiando de parcerias com as instituições com competências na zona costeira, nas áreas do ambiente, mar, economia, investigação e defesa, bem como com as autarquias;

      - Ao estabelecimento de um acordo de regime e desenvolver parcerias interinstitucionais sobre a gestão integrada da zona costeira.

São muitas as entidades com quem interessa manter parcerias com o SIARL, seja porque possuem dados relevantes para o conhecimento das dinâmicas costeiras seja porque são parte interessada e sem elas não haverá uma verdadeira gestão integrada.

No entanto nesta fase de relançamento da ferramenta considera-se prioritário o envolvimento dos parceiros estratégicos e nucleares que permitam operacionalizar os temas centrais de atuação do SIARL e que de um modo geral são entidades com competências irectas na gestão ou em conhecimento costeiro estratégico para a ferramenta.

Dentro desta linha de preocupação consideram-se parceiros estratégicos e nucleares, para além da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as 5 Administrações de Região Hidrográfica (ARH) que a integram:

      - Dentro do Ministério do Ambiente a Direção-Geral do Território (DGT), o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR);

      - No sector do mar, as Administrações Portuárias, a Direção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) e a DOCAPESCA;

      - Na Defesa Nacional, o Instituto Hidrográfico (IH), a Direção Geral da Autoridade Marítima (DGAM) e as Capitanias.

Também estratégicos e a serem envolvidos consoante a oportunidade:

      - Ao nível local as autarquias, associações delas resultantes e as estruturas relacionadas com a proteção civil, sendo que o seu envolvimento será efetuado de forma gradual e numa primeira baseado em ações piloto e exploratórias;

      - A designada sociedade do conhecimento, como são os laboratórios do Estado, centros de investigação e ensino;

      - E a própria sociedade civil designadamente quando organizada em ONG em temas que se relacionem com o conhecimento ou a gestão costeira.

 


Os Principais temas do SIARL


 

i)             As funcionalidades atuais do SIARL

O atual sistema possui os seguintes Módulos ou funcionalidades e que espelham o tipo de parcerias que cada um envolve:

       - Módulo de Usos do Solo (LU) e que serve para caracterizar os usos do solo sobretudo quando estejam em causa condicionantes legais como é domínio hídrico ou associados ao risco ou o que resulta da aplicação de instrumentos territoriais e cujas competências encontram-se repartidas por diversas entidades gestoras. Apenas parceiros com competências nos usos do solo terão acesso a este módulo;

      - Módulo das Ocorrências (OC) para registo de tudo o que sejam ocorrências relevantes como sejam acidentes de navegação, poluição, salvados, arrojamentos marinhos entre outros, sendo que as que interessam para as estratégias de adaptação se relacionam com tempestades extremas e efeitos relacionados com o avanço das águas como sejam inundações, galgamentos, estragos em obras de defesa e em infraestruturas marginais. Este módulo pode ser carregado e visualizado por todos os que se registem no SIARL incluindo cidadãos;

      - Módulo das Intervenções (Int) e que permite caracterizar todas as intervenções costeiras com prioridade para as que envolvam defesa costeira ou acomodação e que convirjam para a apoiar estratégias de adaptação. Atualmente penas os parceiros deste módulo com competências na execução de intervenções costeiras terão acesso a este módulo, sendo que no futuro se prevê tornar públicas as obras já executadas;

      - Módulo de Marcações do Domínio Hídricico (mDH) e muito particularmente a servidão e as restrições de utilidade pública  do domínio hídrico e tem por objetivo manter atualizado o regime legal que vigora relativo às condicionantes do território costeiro devido à ação das águas (dominantemente servidão do domínio hídrico e faixas de salvaguarda / zonas adjacentes do domínio hídrico) devido às permanentes alterações geomorfológicas que ocorrem localmente, geralmente em sequência de grandes tempestades ou intervenções ou da evolução do conhecimento, permitindo um registo permanente das alterações físicas que possam gerar desfasamentos com as condicionantes legais e com privilégios de acesso apenas aos parceiros com competências neste domínio;

      - Módulo Cadastro dos Terrenos Públicos e Privados do Estado por Recuo das Águas (cDH) e que decorre da aplicação da lei centenária do Domínio Público Marítimo (DPM), lei esta que apresenta um elevado potencial para operacionalizar estratégias de adaptação face à importância que tais terrenos têm na política pública de usos do solo e que, por se encontrarem fora do mercado imobiliário, são parte da solução, pois aí devem ser integrados os terrenos mais vulneráveis à ação das águas, seja no âmbito de processos de expropriações ou de alteração de posse devido à ação das águas e previstas na lei aplicável e que é revelador da importância em haver registos sistemáticos, também eles repartidos por diversas entidades gestoras, sendo que os privilégios de acesso estão reservados aos parceiros com competências neste tema;

      - Módulo para Registo de Desconformidades nos Instrumentos Territoriais (GT) e que visa que, os técnicos no seu trabalho diário, registem as desconformidades que vão detetando entre programas, planos, condicionantes, informação geográfica ou da leitura que se possa fazer do próprio território e assim ajudar a estreitar o arual fosso entre a fase de gestão e a de planeamento, sendo que apenas as entidades parceiras com competências na gestão de instrumentos territoriais terão privilégios de acesso ao módulo;

      - Módulo do Documentos (DOC) e que permite o registo de toda a informação que seja exterior aos restantes módulos e que interesse ao conhecimento costeiro e que pode envolver, designadamente, publicações, documentos oficiais, notícias, imagens, informação geográfica, instrumentos territoriais, sites, entre outros e pode ser visualizados e carregados por todos os utilizadores do Sistema incluindo cidadãos.

      - Módulo dos Indicadores e que permite publicitar indicadores de risco e de desenvolvimento sustentável, sendo que alguns se baseiam em automatismos em função dos dados dos restantes módulos e outros carecem de tratamento prévio e estará aberto ao público (em fase de manutenção);

       - Catálogos de Serviços Geográficos com os serviços geográficos públicos disponibilizados na net, os do próprio SIARL e os dos parceiros e que sejam de interesse para o conhecimento costeiro podendo ou não ter acessos condicionados consoante a informação aí disponibilizada.

Todos estes Módulos permitem, para além da referência geográfica de cada ficheiro, a associação de documentos que se relacionem com esse ficheiro (texto, pdf, tabelas, imagens, url, articulação automática com BD, etc.).

O Sistema também admite que os próprios cidadãos carreguem dados no Módulo das Ocorrências e dos Documentos através duma aplicação específica, embora esses dados precisem de validação antes de serem publicitados através do sistema.

Para além destas existem ainda outras funcionalidades já implementadas de que se destacam a possibilidade de visualização de fotos oblíquas com séries anuais e integrais dos cerca 900km de costa, a possibilidade de se efetuarem perfis online de troços de terreno com base em modelos digitais do terreno, a comparabilidade da informação geográfica contida na sua Base de Dados ou com quaisquer serviços geográficos que respeitem os standards de OGC.

ii)            As funcionalidades a desenvolver no SIARL / POSEUR até 2020

Com a atual candidatura ao POVT pretende-se carregar o sistema com dados históricos essenciais para se fundamentarem estratégias de adaptação costeira e, ao nível tecnológico, modernizar o sistema e criar novas funcionalidade de forma a permitir a articulação de bases de dados de entidades terceiras, produção de relatórios e indicadores e desenvolvimento de novas funcionalidades que se mostrem essenciais para melhor compreensão do risco e se implementar Estratégias Adaptação e que dominantemente envolvem os seguintes novos módulos:

      - Módulo de Forçamento Oceânico: Visa centralizar o acesso a informação sobre o clima mas muito particularmente sobre o forçamento oceânico com registo automático das séries temporais sempre se se exceda determinado parâmetro e que visa caracterizar as ocorrências mais extremas e com maior suscetibilidade de afetar obras e sistemas costeiros tendo em vista serem efetuadas correlações entre fenómenos extremos e estragos marginas por ação das águas e essencial para apoiar a componente de acomodação da estratégia de adaptação;

      - Módulo de participação pública de GIZC: Visa facilitar o acesso à informação existente no sistema por praia ou pequenos troços costeiros e particularmente útil para a interação que importa desenvolver na estratégias de adaptação local, para além de facilitar o acesso a pessoas menos habituadas a interagir com o sistema como é o cidadão comum. É intenção com este módulo permitir que haja uma maior interação entre as entidades responsáveis pela gestão local nas diferentes vertentes da gestão costeira (licenciamento, fiscalização, obras, ocorrências, etc.), facilitando a interação entre entidades e do cidadão com o sistema e a administração e particularmente útil por poderem fornecer informação útil sobre picos de ocorrência (efeitos de fenómenos extremos) ou para participação de situações anómalas.

      - Módulo Quem é Quem: Visa caracterizar os principais atores costeiros e ajudar a que haja maior interação entre utilizadores, técnicos e investigadores.

      - Módulo de Monitorização: Tem entre outros objetivos incentivar a disponibilização de dados de base, os estudos e trabalhos desenvolvidos, permitir discussões entre especialistas, divulgar e acompanhar a inovação e contribuir para que haja um maior planeamento e interação entre organismos de forma a evitar a redundância e a duplicação de trabalhos.

      - Módulo de Modelos: Três vertentes se perspetivam para este módulo: Um para suportar um modelo matemático que permitirá obter dados a médio e longo prazo  da estratégia de adaptação e que permitirá fazer análises de custo benefício por troços locais, supralocais através da interação com o Módulo dos Usos dos Solos e das Intervenções. Outro para suportar a visualização de outputs de modelos matemáticos respeitantes a previsão do risco, com multicamadas e que permitam, por exemplo, visualizar vários cenários de avanço das águas ou risco costeiro em função dos dados disponíveis (ex: evolução do risco a médio e longo prazo, previsão do risco para tsunamis ou para diferentes cenários de altura do nível médio do mar) e com os quais o utilizador possa interagir. E ter apontadores para modelos de entidades terceiras ou que permitam a visualização de outputs de modelos matemáticos de entidades terceiras através de serviços geográficos seja ou não no próprio visualizador do SIARL.